Apresentado projeto europeu “Gerês-Xurés” – TVR

Apresentado projeto europeu “Gerês-Xurés” – TVR

O vice-presidente da Câmara de Montalegre, David Teixeira, foi um dos convidados que constou do programa de apresentação do projeto europeu de dinamização da reserva da biosfera transfronteiriça Gerês-Xurés, financiado pelo Programa Operacional de Cooperação Transfronteiriça Espanha-Portugal (POCTEP), no Pazo de Vilamarín, em Ourense.

O projeto visa promover os territórios de Portugal e de Espanha em conjunto para atrair mais turismo à região e, com isso, incentivar a criação e a valorização de empresas que sustentem a população aí residente. O projeto nasce com o objetivo de fortalecer a identidade desta reserva da biosfera transfronteiriça através do seu desenvolvimento económico e turístico sustentável e da proteção e conservação do seu património natural e cultural. O território da reserva da biosfera transfronteiriça Gerês-Xurés, abrange as áreas correspondentes ao Parque Nacional da Peneda-Gerês, no Norte de Portugal, e o Parque Natural da Baixa Limia-Serra do Xúres, na Galiza. A reserva tem uma superfície de 259.496ha, das quais 62.916ha (24%) correspondem a território galego e 196.580ha (76%) a território português. Com um total de cerca de 79 mil habitantes (10 mil na Galiza e 69 mil na região Norte) partilha, em toda a sua extensão, fenómenos demográficos similares como a dispersão, o envelhecimento da população e o despovoamento, fatores que tornam imprescindíveis intervenções específicas como as que se contempla neste projeto.

PROJETO DE 2 MILHÕES

Com um orçamento de cerca de dois milhões de euros e duração prevista até 31 de dezembro de 2019, o projeto conta com a participação, na qualidade de beneficiários, das seguintes entidades: Direção Geral de Património Natural (Conselheria de Ambiente da Xunta da Galiza), Agência de Turismo da Galiza, Deputación de Ourense, Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional – Norte, Turismo do Porto e Norte de Portugal, ADERE – Peneda Gerês e  ARDAL bem como dos municípios de Melgaço, Ponte da Barca, Terras de Bouro, Montalegre e Arcos de Valdevez.

OBJETIVOS

Falamos de um investimento que espera conseguir melhorar a qualidade de  vida da população local, aumentar a atratividade turística, económica e demográfica do território em questão, melhorar a qualidade dos serviços e produtos endógenos comercializados, melhorar o conhecimento sobre a reserva da biosfera transfronteiriça Gerês-Xurés por parte da comunidade local (a nível regional, nacional e internacional), melhorar o estado de conservação e proteção do rico e vasto património natural e cultural associado à reserva, melhorar as condições de acessibilidade, sinalização e ambientais deste espaço classificado e, ainda, contribuir para a harmonização dos instrumentos de planeamento e ordenamento territorial que atualmente regulam este território.

O evento de apresentação assume o formato de conferência-debate, contando com a presença da vice-presidente da CCDR-N – Ester Gomes da Silva, do presidente da deputación de Ourense – José Manuel Baltar Blanco, do vice-presidente do TPNP – Jorge Magalhães e, em representação do coordenador do projeto, da diretora geral de Património Natural da Xunta da Galiza – Ana María Díaz López.

O evento encerra com as Jornadas Gastronómicas Gêres-Xurés Dinâmico, dinamizadas pelo chef Martín Álvarez e organizadas pela Agência de Turismo da Galiza, no final das quais se poderá degustar uma seleção de produtos do território galego da reserva da biosfera transfronteiriça Gerês-Xurés.

APLICAR ATÉ FIM DE 2019

Os carvalhais e os urzais, os lobos e as cabras montesas e as estruturas megalíticas ocupam o PNPG e o Parque Natural Baixa Límia – Serra do Xurés, mas os 260 mil hectares que se estendem por Portugal e Espanha formam apenas uma Reserva Mundial da Biosfera, classificada como tal pela UNESCO, em 2009. Com este projeto, os municípios, a cargo dos parques e outras instituições envolvidas, pretendem reforçar a identidade da reserva, com a promoção da mesma para fins turísticos e a valorização da economia local. A ideia, defende Ester Gomes da Silva, vice-presidente da CCDR do Norte, uma das instituições lusas que integra o projeto, a par da Adere Peneda-Gerês e do Turismo do Porto e Norte de Portugal, «é, por um lado, preservar e conservar aquele património cultural e natural, mas, por outro, é promover o desenvolvimento socioeconómico, com um turismo que se pretende sustentável, mas que garanta a manutenção de pessoas na região».

Com implementação prevista até 31 de dezembro de 2019 e financiamento oriundo do Programa Operacional de Cooperação Transfronteiriça Espanha-Portugal, a iniciativa prevê a atribuição de 900 mil euros à zona portuguesa da Reserva e os restantes 1,1 milhões à zona espanhola, visando não só promover a reserva aos visitantes, mas também aos habitantes e às escolas de ambos os lados da fronteira.

Junto dos turistas, o projeto vai desenvolver ações como a atualização de conteúdos nas Portas do Parque do Baixa Límia e a elaboração de um «calendário único de atividades desportivas e culturais» para a reserva, que podem eventualmente incluir geocaching e “visitas teatralizadas” ao Couto Misto, microestado independente até 1868, perto de Tourém (Montalegre), no limite do PNPG. Prevê-se, também, a melhoria de algumas das rotas transfronteiriças e a valorização do megalitismo nas Serras do Xurés e no Planalto de Castro Laboreiro. Entre as medidas para sensibilizar os cerca de 70.000 habitantes dos cinco municípios da Peneda-Gerês – Melgaço, Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Terras de Bouro e Montalegre – e os cerca de 10.000 do parque da Serra do Xurés para o património da zona, contam-se o levantamento do património etnográfico do território, com recurso a entrevistas à população local para fazer a história da Reserva da Biosfera, ações de formação, que incluem a organização de uma jornada sobre o património cultural material e imaterial.

TEM A PALAVRA

David Teixeira | Vice-presidente da Câmara de Montalegre

«Apresentamos uma grande candidatura de dinamização do nosso território. Pensamos o Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) na sua totalidade. Ser reserva transfronteiriço mundial trás obrigações e um conjunto de preocupações a que a política local tem que responder. Hoje lançou-se um conjunto de ideias para desenvolver mais e melhor o nosso território e para ver os habitantes como peças fundamentais. Há algo que é transversal. A “economia verde” está mais do que nunca na ordem do dia. É uma obrigação ser pensada nas diferentes mais-valias que trás para o território mas é preciso transformá-la em economia. Não podem ser os mais pobres a pagar aos mais ricos. Aplica-se na produção de oxigénio, de água, elétrica, eólica ou solar. É obrigatório que as grandes empresas deixem valor nestes territórios. Os recursos estão cá. Este projeto vai deixar um trabalho em rede. São 13 entidades a participar e o PNPG vai ser um espaço mais atrativo, melhor comunicado e mais visitado. Isso, inevitavelmente, vai fixar população com outra dinâmica».

Texto: C.M.Montalegre

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